Quais são os novos desafios da engenharia civil no Brasil?

O chamado “novo normal” abriu a necessidade de adaptação de muitos processos básicos da vida cotidiana, para que as pessoas possam levar uma vida o mais próximo possível do que sempre foram. Esse impacto no mercado de trabalho tem afetado diversas profissões, inclusive a engenharia. O impacto foi forte nesta área? Houve alguma mudança na forma como os alunos são ensinados em sala de aula? Para falar sobre esse cenário em uma profissão indispensável no mundo moderno, conversamos com o professor César Pandolfi, coordenador do Centro de Tecnologia e Inovação do Centro Universitário da Serra Gaúcha FSG e coordenador do curso de Engenharia de Produção da FSG, sobre como a pandemia tem afetou o campo da engenharia.

Engenharia, pandemia e o mercado de trabalho

Na contramão do que ocorreu com a maioria dos setores, César Pandolfi explica que não houve altos índices de demissão na área.

– Inclusive, algumas áreas da Engenharia, como a de segurança, processos e logística e engenharia civil, tiveram participação ativa nas mudanças e adaptações necessárias nas empresas em virtude da pandemia – explica.

Pandolfi ainda reforça que alguns dos setores empresariais mantiveram seus engenheiros em lugar de destaque:

– Inovações nos mais diversos setores, desde o alimentício até os que envolvem alta tecnologia, mantiveram as engenharias no patamar das profissões que não sentiram grande impacto com a pandemia.

Qual das engenharias mais sentiu o impacto da pandemia?

Pandolfi comenta que, apesar da área como um todo ter permanecido em alta, alguns de seus segmentos sofreram por motivos que fogem de seu próprio controle.

– Acredito que as áreas da Engenharia que sentiram mais efeito com a pandemia foram as que dependiam de matéria-prima externa, já que as importações sofreram grande impacto com as restrições de vários países. Posso citar a engenharia automobilística, como exemplo – comenta.

O coordenador destaca que nesses ramos, em específico, acredita ter havido uma redução nos postos de trabalho.

– Devido às dificuldades com as importações de insumo, onde muitas indústrias tiveram que sofrer ajustes para conseguirem continuar operando, acredito que houve diminuição do número de postos de emprego desses setores – afirma.

Quais serão os principais desafios para o setor na fase pós-pandêmica?

Diante da possibilidade iminente da pandemia ficar para trás em um futuro próximo, devido aos índices de vacinação, Pandolfi comenta os desafios da profissão nesse cenário:

– Haverá muitas análises e estudos do impacto da pandemia nas empresas, com atenção nas áreas humana, de sustentabilidade e custos. Também se terá cuidado especial com o planejamento estratégico, para as mudanças externas encontrarem a organização preparada internamente.

Ele descarta a possibilidade de estagnação no ramo e aponta qual segmento da profissão vai crescer expressivamente.

– Estagnação está fora de cogitação, quem não se movimentar, vai continuar enfrentando problemas na fase pós-pandêmica, logo, a área de Engenharia, como um todo, tende a crescer. Pode-se destacar que a Engenharia de Segurança, a Engenharia Mecatrônica, Engenharia de Computação e, em algumas regiões, a Engenharia Ambiental, possivelmente manterão um crescimento exponencial – enfatiza.

Um conselho aos futuros engenheiros

Para finalizar, o professor Cesar Pandolfi diz qual conselho dá para os futuros acadêmicos ou mesmo aqueles que já trilham esse caminho.

– Atualizem-se periodicamente, nunca deixem de estudar. Não tenham medo das mudanças, tenham certeza de que são através delas que crescemos e nos desenvolvemos, enquanto pessoas e profissionais. Invistam nessa profissão, que é uma das melhores – conclui.

 

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